Publicado por: SOARES TEAM TAEKWONDO | junho 27, 2016

Taekwondo Maracanã, Tijuca – NOVA TURMA


TAEKWONDO no Maracanã, Tijuca

NOVA TURMA!!
Curta nossa página e ganhe um mês de treino GRÁTIS
Informações : contato@soaresteam.com.br
Parceria da Soares Team com a Equipe Winnner !

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Publicado por: SOARES TEAM TAEKWONDO | junho 1, 2016

Muay Thai Tijuca Rio de Janeiro


Agora temos Muay Thai com o Wand Targino Psicopata em nosso CT.

Terças e Quintas das 18:00 as 19:00

muay thai aulas

Publicado por: SOARES TEAM TAEKWONDO | março 8, 2016

HAPKIDO na TIJUCA com os Melhores !!


NOVO SITE : http://www.soaresteam.com.br

HAPKIDO na Tijuca

Turma de Hapkido no Maracanã, Região da Tijuca.

Venha treinar defesa pessoal com as melhores técnicas de Hapkido do Rio de Janeiro.

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Publicado por: SOARES TEAM TAEKWONDO | dezembro 15, 2015

AIKIDO na Tijuca ( perto Maracanã, Vila Isabel, São Cristovão e Praça da Bandeira )


NOVO SITE : http://www.soaresteam.com.br

Agora temos AIKIDO, na SOARES TEAM  :

ENDEREÇO :  Rua Dona Zulmira, 11 – Maracanã

Horário das Aulas :  Terças e Quintas das 19:30 as 21:00

Coordenação Sensei Aladar

Nossa academia  fica perto de vários lugares :

– do Maracanã, perto da estação de metrô, pode vir andando se quiser quase em frente

– de Vila Isabel

– de São Cristóvão,

– do metrô da São Francisco Xavier, pode vir andando também, 15 min.

– da Praça da Bandeira

– de vários pontos de ônibus

Nossas turmas são mistas,  com adultos, jovens,  homens e mulheres treinandos juntos.

Venha conhecer a academia e fazer algumas aulas sem compromisso !!

Contato : soarestkdrj@gmail.com

Publicado por: SOARES TEAM TAEKWONDO | dezembro 1, 2015

Ronda x Holly – Estratégias Aprendidas


A muito tempo não lia uma análise tão clara e tão abrangente como este texto do José Luís Neves, texto original neste link : Estratégia

A ocorrência me fez pensar nos motivos pelos quais certas estratégias não dão certo, e no fato de que boa parte da literatura é composta por narrativas de sucessos, princípios supostamente infalíveis, conceitos testados e abordagens imitáveis. Na verdade o aprendizado com erros e fracassos também é rico, especialmente se servir para que problemas sejam evitados ou, ao menos, para que a pessoa compreenda uma situação e se posicione.

 “Se eu fosse outra pessoa, não iria querer lutar comigo porque sou a melhor lutadora do mundo.” (Ronda Rousey, antes da luta)

Pude perceber alguns mitos sobre estratégia que poderiam ser questionados, e me lembrei de visões relacionadas com negócios que talvez ajudem a entender o que aconteceu naquele encontro. Se quisermos adotar uma perspectiva positiva, digamos que foi possível extrair da situação aprendizados sobre o que determinou os acontecimentos daquela noite.

A eles:


Faça isso para ter uma vida mais longa

Na área de artes marciais mistas, usa-se a expressão pejorativa “one trick pony” para designar um competidor que só domina uma prática e, por isso mesmo, fica vulnerável porque suas iniciativas são previsíveis. A viabilização da estratégia a longo prazo depende em grande medida do grau de inovação das manobras.

Não é uma competência. São muitas. Existe uma diferença importante entre ter o domínio de determinado campo e atuar com uma estratégia de verdade. Por mais desenvolvida que seja uma habilidade vinculada a algum tipo de especialização, é importante haver se preparado para usar outras e saber analisar a situação para decidir se seria ou não o momento propício para aplicá-las.

 “Senti o quanto ela foi agressiva e o primeiro assalto foi realmente intenso. Nada diferente do que eu esperava.” (Holly Holm)

Às vezes uma tática é executada em dois tempos, o que pode exigir duas diferentes habilidades. A estratégia não é uma competência isolada, mas sim um conjunto de capacidades que se reforçam mutuamente e se complementam. É em saber combiná-las que reside boa parte da força do competidor.

Perguntada sobre o que pensava sobre as afirmações de que era um pônei de um truque só, Ronda Rousey respondeu que são muitas as variantes de sua conhecida chave de braço; logo, em sua opinião ela estaria a aplicar, na verdade, muitos truques. Ao dar essa resposta, situou no plano da retórica uma questão que acabou sendo resolvida a partir de seus efeitos, isto é, no plano da realidade.

 “Quando as pessoas me dizem que sou um pônei de um truque só e só tenho aquela chave de braço, elas não entendem que tenho tantas formas de armar aquela chave de braço que eu nem conheço todas — e eu vou mostrar isso lutando.” (Ronda Rousey, março de 2013)

Quem quer atuar com um só truque tem de avaliar os riscos. Os concorrentes estão a cada momento avaliando comportamento, decisões, escolhas e priorizações uns dos outros. Estão também considerando a extensão e o domínio do repertório, e as opções que cada um tem diante de si.

Praticar seguidamente uma mesma tática, explorar determinado ponto forte e somente ele, atuar da mesma maneira para provocar uma reação previsível são coisas que vêm acompanhadas da possibilidade de que a experiência acumulada e a disposição do oponente para testar alternativas se revele, afinal, eficaz. Ter um truque só pode não ser suficiente.

 “Ronda não pôde dar sua chave de braço, não aguentou a trocação e a força de Holm ficou evidente nesta noite” (Mike Winkeljohn, instrutor de boxe e kickboxing)

 

 

Faça isto para jogar o jogo por inteiro

Em jogos de estratégia, estabelecer uma posição significa estabelecer adequadamente o que fazer e o que não fazer. As escolhas têm a ver com cinco tipos principais de questões: adaptação, reação, defesa, ofensiva e criação de espaço de manobra, e eles precisam compor um conjunto equilibrado.

Para a atleta que venceu, concentrar-se somente no que é preciso fazer para se safar das armas do oponente seria uma forma limitada de encarar a luta: “Acho que é um erro só pensar em tudo o que você tem de fazer para se defender. Isso não ganha uma luta. Você precisa ter seu jogo ofensivo.No sábado, não vou tentar sobreviver, vou para ganhar. Eu penso em abrir oportunidade. Eu visualizo. Se uma abertura vier por aqui, tenho que usá-la. Se vier em outro lado, tenho que aproveitar. É tirar vantagem e ser inteligente. Não penso em como vou acabar a luta”. Estratégia é perceber oportunidades e fazer escolhas.

“A estratégia de Holm foi a esperada: circular, manter a distância, evitar o clinch de Ronda e, aos poucos, acertar golpes que fossem minando a campeã. Foi assim que se construiu a vitória, que acabou com Ronda totalmente perdida no segundo round.”  (Greg Jackson, treinador de Holly Holm)


Um meio de manter o controle da situação

Não fazer o jogo do concorrente, isto é, evitar se posicionar na zona de alcance do adversário é a recomendação mais óbvia de todas; todos sabem disso e procuram agir de acordo. O problema está no fato de que se manter fora da zona de perigo depende de conhecer as capacidades do outro competidor, assim como da habilidade que se desenvolveu para se colocar na posição certa, e depende também da qualidade da execução da estratégia.

 “Ronda é conhecida por colocar pressão nas oponentes. E isso fez elas pensarem que reverter essa pressão tiraria Ronda do seu jogo. Mas você não pode apressar as coisas. Se esse é o plano de luta, fique esperta.” (declaração de Holly Holm, antes da luta).

No mundo dos negócios, em que os embates são mais prolongados e muitas das capacitações não são desconhecidas pelos demais competidores, faz mais sentido se voltar para espaços em que a concorrência é menos intensa ou tem potencial de dano menor; igualmente depende de visão clara de qual jogo esteja sendo jogado e dos pontos fortes e fracos de cada um.

Novos entrantes no mercado não vão desafiar competências que no competidor já instalado são reconhecidamente desenvolvidas. Procurarão fugir ao raio de alcance delas, depois de analisar como ele vem se comportando.

Dada a dinâmica do processo competitivo nas empresas, é preciso também visualizar as tendências das condições que favorecem ou restringem a ação própria e a do outro. Convém ter para si os limites das próprias competências, de forma honesta. Superestimar os próprios pontos fortes pode ser um erro grave; não entender as singularidades da situação pode ser outro. Combiná-los significa potencializar os dois.

Outro motivo para delimitar com clareza o raio de alcance do concorrente é poder reconhecer quando um expediente tem por intenção aproximar você da zona de perigo. Convém procurar explorar as tensões a seu favor, ou pelo menos não reagir irracionalmente a estímulos premeditados. Fuja do raio de alcance do concorrente.

 

 

Uma confusão a evitar

Às vezes as atitudes de um competidor transmitem a impressão de que, para ele, ter ciência dos pontos fortes do oponente significa saber lidar com elas. Conhecer a linha da estratégia que o oponente usará é útil na medida em lhe seja possível pensar em formas de neutralizá-la ou explorá-la em seu benefício. Não basta saber que o ponto forte do outro competidor existe. É preciso encontrar uma forma de lidar com ele. Identificar as armas do concorrente não é o bastante.

Eu chorei todos os dias. Foram dias de frustração, quando eu dizia para mim mesma: ‘Se você lutar desse jeito, você não vai vencer’. Tinha de voltar depois e fazer melhor. (Holly Holm, sobre os treinos de preparação)

Um hábito que ajuda a evitar maiores problemas

Quando em 1958 Mané Garrincha perguntou ao treinador da seleção se havia combinado com os russos as instruções que estava a descrever de forma detalhada, chamou a atenção para um dos fundamentos da Teoria dos Jogos: a existência de alternativas para o adversário com maior ou menor potencial de dano, combinadas com maior ou menor chance de sucesso e uma visão da situação, a compor uma lógica de decisão. Arrogância estratégica é algo que distancia a estratégia da excelência. Não menospreze os recursos do oponente.

 “Todas essas garotas vêm com algo diferente que querem fazer comigo. Minha última adversária queria colocar suas mãos em mim, e eu a fiz fracassar. Holly está apostando no seu jogo de pernas e na distância. Ela está errada também. Você pode tentar me arranhar e agarrar, mas ainda vou vencer.” (Ronda Rousey, antes da luta)

Uma maneira de não se deixar enganar

 Às vezes a pessoa diz que possui um plano estratégico, mas na verdade não adotou a perspectiva adequada para avaliar os problemas; o que ela tem é um simulacro de plano, ou nem isso.

Pensar de forma estratégica é diferente de ter um plano estratégico; as duas coisas têm sua importância e é desejável que esteja juntas mas na verdade é possível usar ferramentas, quadros, diagramas, check-lists e formulários para elaborar planos sem a verdadeira incorporação neles do pensamento estratégico. Existe um aspecto formal que às vezes é atendido pela organização sem que isso signifique dispor de uma estratégia de verdade.

É possível cuidar somente da aparência de um plano, ou porque não se sabe conceber uma boa estratégia ou porque não há intenção de dedicar o esforço necessário à tarefa de construção. Pensar estrategicamente não é o mesmo que ter um plano.  

 

Um excesso a não cometer

Mesmo quando os planejadores se esforçam honestamente para produzir um bom trabalho, pode acontecer de o excesso de análise provocar uma espécie de paralisia, separando o planejamento da ação. Planejar é um exercício analítico que deve estar combinado com o lado prático da questão; envolve criatividade, percepção e capacidade de produzir uma síntese que funcione. Quando esta combinação acontece, é porque o pensamento estratégico está ali na sua melhor forma.

Às vezes se procura evitar assumir uma posição diante de riscos, ou então os elementos do ambiente não parecem ser suficientemente ameaçadores. Pode ocorrer que uma pessoa ou uma organização opte por priorizar a operação, mesmo que não se dê conta disso. Entre as duas competidoras da luta, houve uma que analisou mais profundamente as alternativas e possibilidades para estabelecer um caminho que levasse à vitória. Poderia ter sido derrotada, mas teria feito seu dever de casa. Parar demais para pensar pode sair caro.

Uma dimensão que define as outras

Estratégias devem se sustentar ao longo de um prazo razoável, de maneira que ter hoje uma vantagem estratégica pode não ser suficiente. A estratégia deve ser eficaz e deve ser sustentável ao longo de um período razoável. O processo competitivo é composto por jogos que se repetem, mas não da mesma forma. Os embates podem ter curta duração, mas o processo competitivo é um assunto de longo prazo em que os competidores aprendem, testam alternativas, inovam e evoluem.

A trajetória de longo prazo e o embate de curto estão sujeitos a um princípio elementar, que é o da consistência temporal: a ação de determinado momento deve favorecer e criar condições, ao invés de prejudicar ou inviabilizar, a ação do momento seguinte.

Em sentido amplo, o jogo é composto por uma seqüência de embates bem sucedidos. Os atores revelam seus padrões de escolha ao atuar, alimentando de informações os demais potenciais competidores. Eles estão estudando regularmente suas iniciativas e reações, e tentando identificar limites e dificuldades suas que possam ser exploradas. Existe um jogo maior, que é o do longo prazo.

Se você não resolver isto, poderá não sair do lugar

Na década de 60, Alfred Chandler chamava a atenção para a importância de que os diversos componentes do negócio (estrutura, decisões, produtos, mercados) estivessem alinhados a uma estratégia geral capaz de se sustentar a longo prazo. Quando uma empresa ocupa posição de vantagem, deve pensar na sustentação desta posição e isto tem a ver em grande medida com o grau de alinhaento.  Para que a estratégia se sustente, seus componentes devem ser consistentes entre si.

 “Poucas pessoas apostavam na Holly Holm. Ela fez a estratégia correta, mantendo a distância o tempo todo, saindo das quedas da ronda, trabalhando as passadas laterais, incomodando muito a ronda com socos e chutes.”  (Kyra Gracie, pentacampeã mundial de jiu-jitsu e comentarista esportiva)

Lembrar disto pode ajudar a aproveitar oportunidades

Cada concorrente evolui também durante o embate. Uma partida de futebol e uma luta são compostos por centenas de situações de decisão seqüenciadas e que têm efeitos umas sobre as outras, como se cada uma delas fosse em si mesma um jogo à parte. Talvez por isso atletas e equipes dotados de frieza e capacidade de julgamento tenham melhores condições de se adaptar e mostrar resiliência durante um confronto.

“Ninguém pode culpar Rousey ou seu treinador de longa data Edmond Tarverdyan por manter aquilo que está funcionando bem, mas… não fazer nenhum ajuste quando não funciona? Ela parecia um alce cego pela luz dos faróis depois das primeiras trocações.” (Brett Okamoto, jornalista da ESPN)

Não menosprezar a capacidade de decisão e os meios de que o outro concorrente dispõe para atingir seus fins pode ajudar a evitar a adoção de uma estratégia errada ou, ao menos, uma estratégia distante do ponto de ótimo. Reconhecer a tempo erros táticos pode contribuir para reverter uma situação desfavorável. A estratégia evolui também durante o confronto.

 “Seu rosto está sangrando, seu nariz e lábio estão sangrando e então vem o treinador e diz: “Ei, que tal continuar fazendo a mesma coisa ?” Nem mesmo algo do tipo “atenha-se ao plano de jogo. Suba de nível. Mude a posição. Agarre as pernas. Prenda-a na grade”, qualquer coisa que não fosse “continue se deixando socar”. (Tim Kennedy, peso médio do UFC) 

 

O único jeito de se manter no jogo

Em um confronto  com diversas situações seqüenciadas nas quais o concorrente pode às vezes estar mais próximo de pôr em prática uma vantagem concorrencial, a qualidade da reação pode definir a continuidade ou não do jogo. Manobras defensivas devem ser bem escolhidas, pensadas e suficientemente executadas.

No embate daquela noite, Holly Holm ter conseguido evitar o procedimento padrão da adversária foi tão decisivo quanto o golpe final. Sem ele, é possível que a luta houvesse sido mais parecida com as anteriores de Ronda Rousey, tanto na condução quanto no desfecho. A manobra de defesa bem executada representou o ponto de inflexão; a partir dele a atleta vencedora reafirmou sua crescente posição de domínio da situação.  Planeje (e se prepare para) adotar manobras defensivas.

“Nós treinamos muito as defesas. Foram horas e horas trabalhando aquela mesma situação ali, então fiquei muito orgulhoso de ver a Holly reagindo perfeitamente e livrando o braço no momento certo.” (Rafael Barata Freitas, técnico de Holly Holm)

Uma atitude para não fracassar no teste mais importante

Assim como não se deve dedicar energia demais ao planejamento, não se deve destinar atenção de menos à execução. É preciso verificar se estarão presentes as condições necessárias à implementação da estratégia e, caso se constate que não estão, agir rapidamente na correção da situação. É preciso saber se adaptar às condições do embate.

Pessoas e empresas às vezes se deixam levar pela própria retórica e passam a buscar justificativas para se acomodar ao invés de encarar cenários desfavoráveis. Criam com isso uma vantagem para o concorrente que poderiam evitar. Depois da luta, a atleta vencedora declarou que já esperava uma oponente agressiva, mas havia sido orientada por seus treinadores a tirar a máxima vantagem de seu estilo opressor e sufocante. Disse também que soube esperar o momento certo para adotar a ação decisiva, sem se precipitar nem forçar.

Mesmo a estratégia perfeita não resiste à má execução. Podemos fazer simulações e imaginar cenários, mas o teste ácido da estratégia (no qual muitas delas fracassam) é a execução, que sofre em muito se não consideramos devidamente recursos e planos do concorrente. Convém se familiarizar com a lógica de suas decisões e não se deixar enganar quanto à grandeza de seus recursos. Ter concorrentes fortes, aliás, significa ter nos desafios uma razão para não se acomodar. Não descuide das condições da execução.

“Tudo o que trabalhamos apareceu na luta. Toda tentativa de Ronda em me agarrar, de ir para o clinch, eu consegui me livrar de tudo.(…) Algumas vezes eu pensava: ‘caramba, é meu quinto treino do dia. Mas preciso focar agora, para estar preparada na luta’. Tudo deu certo hoje.” (Holly Holm, depois da luta)

 

O pai de todos os erros

Quando a opção por repetir sempre uma tática substitui a presença de uma estratégia, talvez você não tenha estratégia nenhuma, por diversos motivos: ter uma tática não significa ter uma estratégia; as condições para que seus esforços sejam neutralizados ficam maiores se você aplica sempre a mesma tática; o jogo passa a ser decidido pela capacidade do concorrente de executar uma manobra evasiva suficiente; o oponente poderá ter sua tática por base para escolher quais de seus pontos fracos explorará. Não existe tática que funcione bem em qualquer situação. O pior erro possível é não ter uma estratégia.

 “Deu para ver que a Ronda não tinha uma estratégia certa, estava tentando impor jogo dela como sempre, mas chega uma hora que todo mundo sabe como ela luta.” (Fabrício Werdum, campeão peso pesado do UFC)

“O plano de jogo era pressionar.” (Edmond Tarverdyan, técnico de Ronda Rousey)

Uma distinção que ajuda a fazer a coisa certa

Às vezes o competidor busca uma posição confortável de superioridade absoluta, de maneira que a clara distância entre ele e o oponente desencoraje qualquer investida de um concorrente. Na prática, essa busca não gera a otimização do conjunto ou do resultado; e pode significar que se está destinando energia e recursos para desenvolver capacidades secundárias, em detrimento daquelas que acabam se revelando decisivas.

Tentar ser o melhor em tudo pode ser um erro, porque pode acabar resultando no contrário: criar fraquezas e situar o competidor abaixo do limite aceitável em determinada competência. Pode-se ter a sorte de não ver justamente determinada habilidade importante ser exigida em um embate, mas não se pode contar com isso.

Apesar do caráter simbólico que uma vitória no esporte pode ter, ao sugerir que um competidor bem sucedido é melhor que outro e superior aos demais, na verdade a estratégia tem a ver com encontrar meios que sejam compatíveis com os objetivos, e não com se tornar o melhor player em tudo. Trata-se de saber lidar com determinado fator crítico que aproxima a empresa de uma posição vantajosa, e não exatamente superar os concorrentes em tudo. Existe uma diferença entre ser o melhor e ser único no que faz.

 “Eu não sei qual era o jogo de Ronda, mas pareceu que era ser agressiva, ir para cima, não deixar a Holm ditar o ritmo. Fiquei surpreso por ela ser tão atingida. Tudo na luta foi chocante. O que Ronda devia ter feito era ir para o clinch, tentar derrubar, em vez de tentar trocar socos.” (Dana White, presidente do UFC)

 

Uma distinção que ajuda a evitar o caminho errado

Há empresas que buscam ter o melhor processo de produção entre todos, o melhor produto, a tecnologia mais avançada, a melhor cadeia de suprimentos, o melhor marketing. Talvez esta visão se deva ao fato de que entender esse tipo de vantagem como algo seguro, confortável e suficiente; os problemas são o custo de chegar a uma posição destas; a dificuldade de preservá-la e, por fim mas não menos importante, essa superioridade localizada pode não bastar O jogo é de adequação, e não de ter o domínio de uma competência.

“Estou feliz porque tudo correu bem. Temos um grande time de técnicos e todos tiveram um dedo nessa vitória. Nós criamos uma boa estratégia de jogo, funcionou a nosso favor e estou muito contente”. (Greg Jackson, treinador de Holly Holm)

Para evitar o tipo mais sutil de cegueira

Na verdade, uma estratégia direcionada somente para ser o melhor é pobre, porque não existe uma forma de competir que seja melhor para qualquer situação e contexto.

Quando pensamos no melhor veículo ou na melhor roupa, temos em mente a questão do fim a que se destina: o raciocínio faz mais sentido quando consideramos para qual finalidade o veículo ou a roupa devem ser melhores, porque podem servir bem para certos usos e não para outros. Sob condições diferentes, poderíamos continuar ou não a pensar que são os melhores.

Isto posto, deve-se trabalhar para ser decisivamente diferente, ou seja, especial naquilo que importa. A maneira de competir deve ser aquela mais adequada para nós, considerando as contingências. Entender o contexto e o sentido é um dom e um dever.  

Uma noção que ajuda a evitar falsas escolhas

Existe uma oposição conceitual entre as ideias de planejamento e emergência. Por um lado temos uma estratégia previamente concebida e desenhada em detalhe; por outro, temos o que recebe o nome de estratégia emergente (um conjunto não planejado de ações que só são percebidas como estratégicas à medida que se desenrolam ou mesmo depois de já terem ocorrido).

Na verdade, as estratégias não são totalmente prescritas em todos seus detalhes e muito pode ser melhorado depois dos primeiros momentos. Tanto movimentos antecipados quanto os decididos durante o embate se completam em um ambiente de incerteza. Faz parte da arte saber aplicar as duas formas sem rigidez, aproveitando as condições do momento e buscando o melhor resultado possível. Optar por uma como se a outra não existisse não é a coisa certa a fazer.

Tanto as incertezas quanto os riscos estarão presentes em cada curso de ação, mas isto não significa que nenhum planejamento útil pode ser feito. Uma estratégia pode ser do tipo emergente, mas sem um plano você não tem nada.

Um modo básico de melhorar as próprias chances

Depois da luta, houve vários questionamentos sobre a qualidade dos planos de jogo das duas competidoras. Apesar das divergências de opinião a respeito, ao que tudo indica ali houve um confronto entre a tentativa de repetir uma prática conhecida, por um lado; e o uso de uma linha de defesa baseada em não sucumbir à pressão e não se deixar arrastar para o território em que o outro concorrente é mais forte, por outro.

Uma das lutadoras estava disposta a detectar oportunidades e aproveitá-las, enquanto a outra ficou paralisada de surpresa e não conseguiu fazer uso de linhas de ação alternativas. Embates competitivos têm certo grau de incerteza e sob condições ligeiramente diferentes o resultado poderia ter sido outro, mas aparentemente a falta de opções planejadas e aplicáveis ajudou a definir o confronto contra Ronda Rousey. Crie um plano de jogo coerente, mas tenha um plano B. 

 

Uma ilusão que é melhor não ter

Ao contrário do que se costuma dizer, agir sempre da mesma forma não conduz sempre aos mesmos resultados. Estratégias se esgotam porque mudam as circunstâncias, as condições de operação, a correlação de forças no ambiente e, mais importante, o aprendizado dos concorrentes que têm como estudar seus movimentos e pensar em meios de os neutralizar, bloquear ou mesmo impedir que sejam executados.

Estariam presentes na nova situação as condições que tornaram possível o sucesso nas anteriores? Quem aposta nisso sem mudar a forma de atuar está se dispondo a testar uma hipótese fraca, para dizer o mínimo. Quando chegar o momento de repensar o modelo, admita. Repetir uma ação não leva necessariamente ao mesmo resultado.

 

 

“Eu nunca me vejo arrasada em uma luta e eu acho que Ronda foi arrasada nessa luta.” (Miesha Tate, ex-campeã peso galo do Strikeforce)

Se tudo falhar, use isto

Em entrevista coletiva ocorrida depois do confronto, repórteres perguntaram se existiu ou não um bom plano de jogo para o embate. Dana White, presidente do UFC, respondeu que a pergunta era estúpida porque a mera aplicação de força bruta sem planejamento, quando tem sucesso, é saudada por todos como parte de um plano perfeito. Ao desqualificar a pergunta, deu a entender que só os resultados são importantes e que eles seriam em grande medida casuais. A julgar pelo que pudemos ver naquela noite, os apreciadores de lutas têm o direito de duvidar disso. Quando as coisas dão errado, é melhor ter um bom porta-voz.

 

“Eu tenho muito respeito por ela. Não teria essa oportunidade se ela não tivesse feito o que fez pelo MMA. Muitas lutadoras pavimentaram o caminho do esporte para chegar aqui. Ela foi uma das maiores, então eu agradeço a todas que vieram antes de mim.” (Holly Holm, sobre Ronda Rousey, depois da luta)

O campo do MMA é palco de renovação constante, reviravoltas e revanches notáveis. A atleta Ronda Rousey terá sua segunda chance, fará o que puder para se recuperar, ouvirá novas recomendações técnicas, saberá se reinventar em alguma medida, terá pessoas para trabalhar sua imagem e seguirá a orientação de estrategistas de negócios que organizarão novos embates da maneira que propicie os maiores ganhos possíveis.

Para quem prestar atenção, lutas e jogos esportivos são um campo em que se testam hipóteses sobre a realidade considerando as próprias competências e as alheias, os limites existentes, as escolhas e reações possíveis, a forma de lidar com erros, a habilidade de tratar imprevistos e se adaptar.

A dinâmica dos confrontos esportivos se assemelha na essência à de outros jogos de estratégia, aí incluída a dos negócios. Eles trazem novos aprendizados, além de dar novo sentido aos conhecimentos que já tínhamos. Podem funcionar como uma boa escola que além de tudo é divertida, acessível e barata.

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